você nunca foi capaz de lidar com os meus vícios no álcool e na nicotina, apesar de eu sempre ter te deixado clara a existência de ambos. sabe, eu sempre bebi porque eu sou assim. não adiantava nem eu, nem você lutar contra isso. está no meu sangue. está na minha alma.
e a cada cigarro que eu fumava, mesmo com você a metros de distância, eu te sentia ainda mais impossível. eu via seu olhar de reprovação mesmo que você nem mesmo estivesse olhando pra mim. e só me sobrava encher meu copo, tomar outra dose. só me sobrava acender outro cigarro. cada vez mais e mais você se tornava um sonho utópico pra mim, apesar de todo o passado.
eu te disse que eu escrevia melhor com o álcool e as drogas. você não acreditou. obviamente, era coisa da minha cabeça. eu devia estar subestimando todos os escritores fodas do mundo. eles não precisavam de álcool, certo? eu, um fracassado, é que precisava. eu, perdido entre teus sorrisos, no meio das lembranças do teu corpo, no meio das lembranças das tuas palavras de amor, tentando tragar e tentando esquecer, eu, um fracassado, é que precisava.
não acho que você conheça muitos deles. nem eu conheço. não chego perto de conhecer, mas te digo que queria ter bebido com todos eles.
você sempre foi fã de finais felizes, apesar de eu nunca ter acreditado na possibilidade de um deles.
finais felizes não existem, sabe? existem começos e meios felizes. mas mesmo que eu nunca tivesse bebido até cair numa noite, mesmo que eu nunca te tivesse te mandado mensagens ilegíveis no celular, mesmo que eu não tivesse sido eu mesmo, nós não teríamos tido um final feliz. finais felizes não existem. ainda mais pra opostos como nós.
eu vou acender outro cigarro e tragar até meus pulmões não aguentarem mais. eu vou potencializar meus defeitos, aqueles que você odeia. eu vou beber cachaça no gargalo até vomitar as tripas. e eu vou fazer tudo isso porque eu nunca tive coragem. eu nunca tive coragem de olhar fundo nesses teus olhos tão lindos e dizer metade da verdade - mesmo com meu braço dizendo que o medo não existe. mesmo com eu vivendo tentando me convencer dessa mentira.
por mais que eu queira mudar - não por mim, mas por você - nada disso vai ser suficiente.
nenhum de nós conhece o amor de verdade. são palavras vazias. são palavras medonhas, irrisórias, que podem durar uma semana, um ano, três anos ou dez anos, mas simplesmente, um dia, não farão mais sentido. sei o que é dizer eu te amo pra alguém, e você, apesar de ser tão simpática, bonita e divertida, aparentemente não sabe.
você sempre foi fã de finais felizes, apesar de eu nunca ter acreditado na possibilidade de um deles.
eu vou pro bar tomar outro porre - até vomitar. e você não vai me entender. você nunca, nunca, nunca vai me entender. eu queria, do fundo do meu coração, que você me entendesse, mas sei que não é possível.
finais felizes não existem. um dia, você vai me dizer que eu sempre estive certo quanto a isso. você vai esquecer seus contos de fadas, seus ideais, seus sonhos de todas essas coisas que não existem, sua felicidade, sua confiança na terapia e outras enganações humanas. talvez você tome um porre de vodka pura. talvez você fume um maço de cigarros. talvez você se lembre de tudo que eu já te disse. talvez você se lembre do medo. quem pode dizer? eu não. você, certamente, menos ainda.
mas finais felizes, realmente, não existem.

2 outros delírios:
Ai ai, pois é...
Só isso.
Eu não sei, mas acho que, ainda que saibamos que finais felizes não existem - pura verdade - precisamos repetir a mesma frase até que perca o sentido pra impedir que, bem lá no fundo, surja a esperança de que eles existam. Nesse caso, é especialmente difícil estrangulá-la.
Um beijo!
Postar um comentário