sexta-feira, 1 de abril de 2011

do ódio e das coisas singelas.

cai uma tempestade lá fora. tenho cerca de um quilômetro pra andar, mas, sinceramente, não me importa. eu não sou o tipo de pessoa que tem medo de água. eu não sou o tipo de pessoa que usa guarda-chuva.

voltando da primeira das duas festas de hoje, eu tinha esse comecinho de texto na cabeça. coisas que falem o bastante sobre quem você é. meu clichê clássico, óbvio. eu também queria dizer que existem alguns lugares amaldiçoados, onde invariavelmente coisas ruins acontecem. é verdade que em um ou dois dos locais nos quais eu normalmente vou em festas o histórico é completamente tenebroso. se eu aparecer em um deles, é um fato que ou eu vou pegar alguma menina muito feia, ou eu vou dar um vexame e vomitar no chão, ou eu vou ver cenas que eu jamais gostaria de ver envolvendo pessoas que eu gosto.

mas, eu não faço idéia do porquê, eu continuo frequentando esses lugares.

talvez porque todo mundo esteja neles. talvez porque eu precise beber e é a opção que existe. talvez porque simplesmente o mundo e o destino insistam em me levar pra esse tipo de situação.

o que importa é que tudo isso desmoronou nas horas que vieram a seguir e eu fui lentamente sendo tomado por um ódio descomunal das coisas e das pessoas. aquele ódio que faz você esquecer de tudo que te envolve e sair esmurrando postes e árvores e fumar cigarros ao contrário, uma vez que dessa forma quase com certeza a morte vem mais rápido.

ódio e amor são dois sentimentos irmãos gêmeos. eu acho que a maioria esmagadora das pessoas não conhece nenhum dos dois. e se você conhece um, certamente conhece o outro.

a primeira festa obviamente foi tão tenebrosa como são todas aquelas desse primeiro lugar. a segunda, porém, foi em um dos meus preferidos. onde nunca nada de ruim aconteceu. quer dizer, aconteceu, mas talvez por culpa minha. só que, sabe-se lá como ou porque, minha teoria acabou completamente quando tudo ruiu e se demonstrou muito pior que qualquer expectativa humana me traria.

teorias não servem pra porra nenhuma.

e a culpa é toda minha. sempre foi, sempre será. as pessoas estão em constante mudança, eu sou o mesmo. é difícil admitir, mas eu cometo os mesmos erros. eu conheço as pessoas e espero que elas se mantenham sendo aquilo que eu conheci por dias, por meses, sabe-se lá por quanto tempo. elas não se mantêm. talvez porque sejamos todos novos demais. talvez porque elas não façam idéia de quem são. talvez porque elas precisem fingir o tempo todo. foda-se.

gritar nunca vai adiantar de nada, nem se conhecer, nem estar sempre bêbado, nem amar ou odiar alguém. nem esfaquear, nem esquartejar, nem queimar cigarros nos olhos das pessoas que você acha que merecem isso.

eu sou o tipo de pessoa que não usa guarda-chuva, eu sou o tipo de pessoa que não se importa com a maioria das pessoas mas dá o seu melhor pelas raríssimas que se importa, eu sou o tipo de pessoa que acha que alguns assassinatos são justificáveis, eu sou o tipo de pessoa que escreve um texto singelo às cinco da manhã mesmo com o coração tomado de ódio, eu sou o tipo de pessoa que ouve o quanto se é romântico e idealista de uma amiga mesmo sabendo o quando é difícil aceitar isso. mas eu sei que eu só bebo e fumo tanto porque eu não consigo encarar o tamanho do meu coração.

se eu estiver gritando, ameaçando queimar cigarros nos olhos de alguém, dando pontapés em latas de cervejas vazias, esmurrando árvores espinhosas e saindo cheio de sangue disso, é só lembrar: o amor e o ódio são sentimentos irmãos gêmeos. não tenho culpa que quase ninguém conheça nenhum dos dois.

mas é difícil pra caralho ver todo mundo mudando, deixando de ser as pessoas com as quais você se importava, e continuar sendo sempre o mesmo.

2 outros delírios:

deborah disse...

entao mude tambem.

Jéssica Carmo disse...

Muitas e muitas vezes pensei como você.. é verdade, as pessoas mudam, as relações mudam, e talvez você mesmo tenha mudado... mas não quer, nunca quis admitir, isso, e vc sofre! Se há uma coisa perceptível em todos os seus textos, é dor, uma dor que me tocaprofundamentente, pq vejo em vc algo daquilo q já vi em mim, com as bebidas os cigarros, os auto questionametos... mas como diris Drummond: "...Você é duro..." (E agora José)
Um cigarro, e mais um passo, continue respirando, mesmo esse ar poluído, ele me inebria!