segunda-feira, 25 de abril de 2011

notícias de nada, parte II

enquanto eu estava na itália, costumava sempre tomar uma cerveja alemã chamada aventinus. é escura - e eu raramente gosto de cervejas escuras - e com um gosto muito particular, que se devia ao fato dela ser feita de caldo de nozes, ou avelã, ou banana ou qualquer outra coisa atípica que eu não consigo me lembrar. o problema mais grave era realmente o preço, seis euros, bem acima da média pra uma long neck. mas valia a pena, já que aquele líquido foi minha pequena paixão por um tempo.

sábado, eu acabei encontrando essa cerveja numa loja de bebidas importadas. vinte e sete reais a long neck. com esse dinheiro, eu tomo nove itaipavas da garrafa grande no meu bar de todos os dias.

não comprei, mas fiquei consideravelmente tentado.

esse mês de abril me parece estar mais quente que o do ano passado. lembro de uma semana com duas festas, uma na quarta e uma na quinta, que o tempo tinha caído muito. todo mundo de blusa. eu de blusa, coisa rara por esses lados. dessa vez, não tem como passar um dia sequer sem o ventilador ligado. não tem como dormir sem ele estar ligado. é incrível.

o ventilador é uma grande paixão minha, e não é só por um mês, como a maioria das minhas paixões. ele é necessário por um bom tempo e descartável só por um período mínimo do ano. talvez as paixões sejam medidas pelo quanto elas são descartáveis ou não.

também foi sábado que eu decidi que passaria o dia todo sem fumar. nenhum cigarro. nem comprado, nem filado. passei umas horas angustiado no bar, mas acabei saindo vitorioso. preciso aprender a subjugar e dominar meus vícios e meus erros.

saí do cinema e tinha quatro ligações perdidas no meu celular. eram da menina da festa de quinta passada. lembrei o nome porque ela mesma tinha escrito na agenda do aparelho, mas demorei pra me tocar de quem era. queria sair, eu disse que não podia e que talvez ligue no próximo fim de semana. o engraçado é que absolutamente nenhum dado que ela sabe sobre mim é verdade. só o número de telefone.

talvez meses de abril acabem entrando pra minha lista de pequenas paixões. eles sempre são fantásticos.

3 outros delírios:

Yohana SanFer disse...

Pequenas ou grandes, somos sempre os criadores do que nos é necessário ou não...não por caprichos, gostos ou vícios, acredito que pelo que nos contém e nos faz ser...Curioso como vc escreve, gostei muito.

Origada pela visita!

sobrefatalismos disse...

Aqui faz frio. Ano passado fez calor. Prefiro maio.
Sim, discordamos em muita coisa. Por isso eu adoro você.

Sofia A. disse...

Abril é pra mim geralmente o pior mês do ano.
Dominar seus erros, taí um grande desafio.
Um beijo!